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Time de Ponta Porã vence Jebs de basquete e homenageia Oscar Schmidt

Mão Santa foi o principal incentivador do projeto social Porãbask, que conquistou título inédito na categoria sub-18 em Brasília.

18/04/2026 às 15:12
Por: Redação

Momentos antes de disputar a final dos Jogos Escolares Brasileiros (Jebs), na noite da última sexta-feira (17), a equipe de basquete masculino sub-18 do Porãbask, de Ponta Porã (MS), foi surpreendida pela notícia do falecimento de Oscar Schmidt. Representando Mato Grosso do Sul na competição em Brasília, os jovens atletas e o treinador Hugo Costa receberam a informação com emoção e silêncio, pois o Mão Santa representava muito mais que um ícone do esporte para eles.

 

Para os integrantes do time e seu técnico, Hugo Costa, de 59 anos, Oscar Schmidt não era apenas uma figura distante da televisão. O ex-jogador foi o grande responsável por viabilizar, há 19 anos, a iniciativa social que transformou uma estrutura improvisada em um ginásio moderno, impulsionando o basquete local. A tristeza pela perda do ídolo e a intensidade da partida final, disputada contra a equipe que representava São Paulo, se entrelaçaram na quadra.

 

No entanto, a vitória por 74 a 63 trouxe uma explosão de sentimentos adicionais, culminando em uma subida inédita ao topo do pódio. O treinador Hugo Costa, visivelmente emocionado, recordou a fundação do projeto social em 2004. Batizado inicialmente como “Meninos do Terrão”, a iniciativa começou em uma quadra rudimentar e improvisada no Jardim Irene, uma área periférica de Ponta Porã.

 

Apoio de Oscar transforma o projeto

 

A virada para o projeto ocorreu em 2007, quando Oscar Schmidt visitou a cidade para realizar palestras. Nesse período, ele teve contato com a iniciativa e desenvolveu uma forte ligação com seus participantes. Hugo Costa, que antes admirava o Mão Santa como fã, passou a considerá-lo um amigo. Oscar ofereceu apoio constante, incentivando a transformação da quadra improvisada em uma estrutura coberta e bem equipada. Durante suas palestras, ele frequentemente solicitava doações de recursos para o projeto. O resultado desse empenho foi a aquisição do terreno e a construção de um ginásio, que, em reconhecimento à sua contribuição, foi batizado com o nome do lendário jogador.

 

O treinador lamentou a coincidência de ser campeão no dia da morte do seu maior incentivador. “Nós disputamos mais de 20 jogos escolares. Sempre chegamos perto. Foi a primeira vez que fomos campeões. Que seja uma homenagem a ele”.

 

Legado de superação e educação

 

De acordo com o treinador, Oscar Schmidt transmitiu um valioso ensinamento: a importância da obstinação para alcançar os objetivos.

 

“Muita gente pensa que basquete não seria para pobre. Nem para periferia. O Oscar ensinou para a gente que é possível fazer basquete em qualquer lugar”.

 

Além de desenvolver talentos esportivos, o projeto social tem sido bem-sucedido em seu propósito principal: formar cidadãos. Hugo Costa relata que muitos ex-participantes se tornaram profissionais em diversas áreas, como educação física e medicina, mantendo contato com ele até hoje.

 

A atuação do clube na comunidade, conforme explica o treinador, transformou a região, que se tornou um ponto de referência esportiva. Costa defende que o papel do profissional de educação física é essencialmente educar crianças por meio do esporte, incutindo valores como responsabilidade e disciplina.

 

A emoção da vitória e os planos para o futuro

 

No pódio, Hugo Costa recordou os intensos treinamentos, os períodos de afastamento da família e a importância de seu trabalho como educador. Ele compartilhou com os jovens a certeza de que aquele momento seria inesquecível, algo que eles transmitiriam aos seus futuros filhos.

 

Para o estudante Rafael Cardozo, de 17 anos, os pensamentos no pódio se voltaram para a mãe, que o cria sozinha junto ao irmão mais novo. Imediatamente após o apito final, ele conseguiu contatá-la para compartilhar a alegria e expressar sua gratidão: “Tenho que agradecê-la por tudo”. Rafael também fez questão de abraçar o professor.

 

Atualmente cursando o terceiro ano do ensino médio, Rafael planeja ingressar na faculdade de gestão hospitalar. O basquete, para ele, continuará sendo uma paixão e uma forma de lazer. Ele expressou sua ambição: “Quero chegar lá no topo. E é preciso trabalhar pra chegar lá”.

 

A notícia do falecimento de Oscar Schmidt impactou profundamente o jovem atleta. Ele ressaltou a relevância do Mão Santa, afirmando: “Sabemos como ele era importante para o Brasil e para o nosso projeto”.

 

Outro atleta emocionado com a conquista foi Samuel Menezes, pivô de 17 anos e cestinha da partida, com 30 pontos marcados. Também no terceiro ano do ensino médio, Samuel almeja cursar educação física e declarou: “Quero ficar no esporte”.

 

A homenagem do “Mão Santa” do time

 

No pódio, Samuel relembrou os treinos diários e a dedicação coletiva do time. Com a medalha no peito, ele abraçou cada colega e ligou para seus pais – a mãe, dona de casa, e o pai, ourives. O jovem também recordou o choque da morte de Oscar e mencionou que frequentemente assiste a vídeos de jogos antigos do ídolo pela internet.

 

“Só temos a agradecer a ele. Hoje eu fui o Mão Santa do meu time”, disse Samuel, sorrindo. Após a vitória, o silêncio inicial deu lugar a uma quadra repleta de sorrisos e celebração, com as emoções transbordando em meio à alegria da conquista.

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