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Encontro no Rio une paradas LGBTI+ para avançar pautas de direitos

Representantes de 35 municípios se reúnem para compartilhar desafios e propor 25 recomendações coletivas.

25/04/2026 às 19:13
Por: Redação

Lideranças e organizadores de paradas LGBTI+ de diversas regiões do estado do Rio de Janeiro se reuniram para consolidar um movimento unificado, focado na busca por direitos e na implementação de políticas públicas. Este esforço colaborativo, exemplificado pelas dificuldades enfrentadas em eventos como o de Madureira, visa a troca de experiências e o fortalecimento mútuo.

 

No subúrbio carioca de Madureira, onde anualmente as ruas se vestem de cores em celebração ao orgulho LGBTI+, a organização do evento enfrenta obstáculos logísticos únicos. Para garantir a segurança dos participantes, é necessário suspender a complexa rede de fios elétricos dos postes locais, e em dias de chuva, a programação da manifestação pode ser totalmente comprometida devido à falta de infraestrutura adequada.

 

“Não é igual à Copacabana, na Avenida Atlântica, onde os trios podem colocar coberturas contra a chuva e seguir desfilando tranquilos. Madureira tem outras dificuldades”, explica Rogéria Meneguel, presidente e organizadora da Parada LGBT+ de Madureira.

 

“Já aconteceu de chover muito em um ano e a Parada não conseguiu andar. Ficou, literalmente, parada. Desde o ano passado, estamos fazendo o evento dentro do Parque de Madureira, para lidar com essas questões”, complementa.

 

Essa disparidade logística, observada entre bairros da capital, reflete-se também nos desafios enfrentados por municípios de menor porte em comparação com o Rio de Janeiro. Para abordar essas questões e impulsionar a colaboração, o Encontro Estadual de Paradas do Orgulho LGBTI+ foi realizado neste sábado (25), no centro da cidade, com o objetivo de fomentar o intercâmbio de vivências entre líderes comunitários de diversas localidades.

 

“É fundamental que as cidades maiores também deem sustentação e suporte político, institucional e cultural para as cidades com maior dificuldade”, diz Cláudio Nascimento, presidente do Grupo Arco-Íris, organizador da Parada de Copacabana.

 

“O que deu certo para um pode servir de referência para outro. E nos reunimos para pensar juntos quais são as principais pautas da comunidade. Unidos, aumentamos as vozes e damos mais visibilidade para nossas lutas”, completa.

 

Desafios Regionais e Luta por Direitos

 

A complexidade da organização de uma Parada do Orgulho LGBTI+ transcende as questões de infraestrutura e logística, englobando também a necessidade de confrontar uma postura conservadora que busca restringir os direitos e as reivindicações da comunidade.

 

Rafael Martins, presidente do coletivo Arraial Free, responsável pela organização da manifestação em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, relata que os últimos quatorze anos foram marcados por uma persistente batalha para garantir a realização do movimento nas ruas da cidade.

 

“O município ainda tem muitas pessoas preconceituosas, sabe? Mas estamos resistindo e mostrando para a nossa região, muito conservadora, que nós existimos, estamos ali e que precisamos de políticas públicas para a população LGBTI+”, diz Rafael.

 

As experiências de Arraial do Cabo oferecem importantes contribuições para a discussão coletiva, conforme detalha Rafael Martins. Ele explica que, antes mesmo da Parada, o coletivo engaja comerciantes locais em busca de apoio e patrocínio, estabelecendo parcerias com setores como hotelaria e mercados.

 

“Às vezes, é só um engradado de água, mas que já ajudam muito. O que eu tento levar para todo mundo é que não precisa ficar fissurado apenas na Prefeitura, no apoio institucional. Também podemos dar as mãos para quem está do nosso lado e avançar juntos”, diz Rafael.

 

Fortalecimento da Rede e Calendário Estadual

 

O Encontro Estadual, que não era realizado há uma década, contou com a participação de representantes de no mínimo 35 municípios. Sua organização ficou a cargo do Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBTI+, com o suporte do Programa Estadual Rio Sem LGBTIfobia, vinculado à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, além do Teatro Carlos Gomes e da Secretaria Municipal de Cultura.

 

Ao longo do dia, foram promovidas diversas rodas de debate, que exploraram temas cruciais para o movimento. Entre os assuntos discutidos estavam a estrutura institucional e a viabilidade dos eventos, a organização prática das Paradas, estratégias de engajamento social e voluntariado, a busca por apoios e patrocínios, a promoção de direitos, a sustentabilidade ambiental e a elaboração de agendas socioculturais.

 

Um dos resultados esperados do encontro é a elaboração conjunta de um calendário estadual de Paradas, visando o fortalecimento das estratégias de cooperação entre as diferentes regiões e a ampliação da visibilidade das mobilizações.

 

Algumas paradas já têm suas datas confirmadas: a de Arraial do Cabo está agendada para 13 de setembro, e a de Copacabana para 22 de novembro. Embora a data exata para Madureira ainda não tenha sido definida, a expectativa é que sua realização também ocorra em novembro.

 

A plenária de encerramento do encontro tem como objetivo a formulação de 25 recomendações estratégicas. Essas orientações buscam fortalecer os movimentos, definir prioridades para a incidência política e propor diretrizes para futuras reuniões entre os territórios.

 

“Fico muito feliz de ver esse movimento crescendo tanto pelo país. Hoje, são mais de 500 cidades brasileiras com Paradas. Se a gente for ver proporcionalmente, o Rio de Janeiro é o estado com maior número, levando em consideração que temos 92 municípios e mobilizações em 38 deles”, diz Cláudio Nascimento.

 

“É um período muito difícil, com muitas tentativas de impedir a liberdade de expressão e os movimentos sociais LGBT+ nas cidades. Continuamos o trabalho para fortalecer a nossa rede”, finaliza.

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