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Fenaj cobra investigação após morte de jornalistas da Band

Entidades sindicais criticam acúmulo de função e riscos no setor após acidente com repórter e cinegrafista em Minas Gerais.

18/04/2026 às 01:08
Por: Redação

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJPMG) emitiram uma nota conjunta, na qual afirmam que o falecimento de um cinegrafista e uma repórter da equipe da Band em Minas Gerais, ocorrido nesta semana, evidencia os riscos associados ao acúmulo de funções e à precarização do jornalismo.

 

O incidente fatal aconteceu na última quarta-feira, dia 15, na rodovia BR-381, localizada na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Os profissionais envolvidos, o repórter cinematográfico Rodrigo Lapa e a jornalista Alice Ribeiro, estavam retornando de uma pauta quando o veículo sofreu o acidente. De acordo com a análise das entidades sindicais, o fato de o próprio cinegrafista, Rodrigo Lapa, estar ao volante caracteriza tanto o acúmulo quanto o desvio de função em sua atividade profissional.

 

Rodrigo Lapa faleceu no próprio local do acidente, enquanto Alice Ribeiro teve sua morte cerebral confirmada na quinta-feira, 16 de abril. A jornalista era mãe de um bebê de nove meses.

 

“Profissionais responsáveis pela captação de imagens jornalísticas vêm sendo sobrecarregados com tarefas que não lhes cabem, como a condução de veículos, o que amplia significativamente os riscos, especialmente em rodovias perigosas e em jornadas exaustivas”, diz trecho da nota conjunta.

 

As representações sindicais dos jornalistas expressaram profundo pesar pelos falecimentos e ofereceram solidariedade aos familiares, amigos e colegas de trabalho das vítimas. Contudo, sublinharam que a tragédia serve como um grave alerta para as atuais condições de trabalho prevalecentes no setor jornalístico.

 

A nota divulgada pelas entidades aponta que, embora as causas exatas do acidente ainda estejam sob investigação, é crucial salientar a contínua situação de vulnerabilidade e perigo a que os profissionais do jornalismo são expostos. A diminuição das equipes e a exigência de que um mesmo profissional execute múltiplas funções são fatores que agravam esse cenário.

 

A Fenaj e o SJPMG estão reivindicando uma intervenção do Ministério Público do Trabalho (MPT) para que sejam apuradas as condições laborais vigentes nas empresas de comunicação. Além disso, as entidades requerem a implementação de providências que assegurem a formação de equipes completas e ofereçam um ambiente de trabalho seguro para o desempenho das atividades jornalísticas.

 

“A defesa do jornalismo passa, necessariamente, pela valorização e proteção de quem o exerce”, conclui a nota das federações.

 

A equipe de reportagem da Agência Brasil buscou contato com a Band para obter um posicionamento da emissora sobre as críticas formuladas pelas entidades. Até o momento, a empresa não se manifestou, e o espaço permanece à disposição para eventuais declarações.

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