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Adolescente é internado no Rio por planejar estupro coletivo de namorada

Jovem de 17 anos, que mantinha relação afetiva com a vítima, foi condenado à internação sem atividades externas por seis meses

18/04/2026 às 16:02
Por: Redação

Um adolescente foi condenado à internação pela Justiça do Rio de Janeiro por envolvimento em um estupro coletivo que ocorreu em um apartamento localizado em Copacabana, em março deste ano. A decisão foi proferida pela juíza Vanessa Cavalieri, que atua na Vara da Infância e Juventude da Capital, e levou em consideração a gravidade do ato, que incluiu violência física, e o fato de o jovem ter arquitetado uma emboscada contra a vítima, uma adolescente de 17 anos com quem ele mantinha um relacionamento afetivo.

 

A medida de internação imposta ao adolescente não permite a realização de atividades externas por um período inicial de seis meses. A magistrada justificou a sentença ao declarar a importância da pena máxima para a ressocialização do jovem e a manutenção da ordem pública, citando a severidade da infração e a incapacidade da estrutura familiar em estabelecer limites apropriados. Além do adolescente, outros quatro homens adultos estão sob investigação por sua participação no mesmo crime.

 

Impacto do Depoimento da Vítima

 

Um dos pilares da decisão judicial foi a relevância atribuída ao testemunho da vítima. A juíza enfatizou que, em casos de crimes de natureza sexual, que frequentemente ocorrem em segredo e sem a presença de testemunhas, o relato da pessoa agredida possui um peso e uma credibilidade especiais. Neste processo específico, o depoimento da jovem foi considerado consistente, minucioso e foi corroborado por exames de corpo de delito, que confirmaram as agressões físicas sofridas, incluindo socos e chutes desferidos pelo grupo, com participação do próprio adolescente.

 

Para fundamentar a sua decisão, a magistrada utilizou o Protocolo para Julgamento sob Perspectiva de Gênero, desenvolvido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Este protocolo orienta os magistrados a analisar casos de violência contra mulheres, reconhecendo as desigualdades históricas e as dinâmicas de poder presentes nas relações. A sentença destacou que a valorização do depoimento da mulher não compromete a imparcialidade do processo, mas, ao contrário, assegura a igualdade material, visto que vítimas de violência sexual frequentemente enfrentam obstáculos para provar a ausência de consentimento.

 

Proteção e Evitação da Revitimização

 

Com o intuito de preservar o bem-estar emocional da jovem, o Poder Judiciário implementou uma medida para evitar que ela fosse submetida ao trauma de relatar sua experiência repetidamente em juízo. Foi realizado um depoimento especial único, resultado de uma colaboração entre a Vara da Infância e Juventude e a Vara Criminal, onde tramita o processo contra os adultos envolvidos. Essa metodologia de oitiva singular assegurou que a vítima narrasse os fatos apenas uma vez para ambos os processos, prevenindo sua revitimização e garantindo o direito de crianças e adolescentes vítimas de violência a serem ouvidas de forma protetiva.

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