Uma vasta jornada de mais de cinco décadas dedicadas à fotografia é o foco da exposição “Ofício: Luz: Lita Cerqueira: Direito de Olhar”, que estreou na última quarta-feira no Sesc Pompeia, em São Paulo. A mostra celebra a trajetória da renomada fotógrafa baiana, conhecida por seu olhar singular e por registrar tanto figuras icônicas da música brasileira quanto o cotidiano da Bahia.
Lita Cerqueira, que cultivou amizades com grandes nomes como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa e Elza Soares, possui um acervo rico em imagens emblemáticas. A exposição atual oferece ao público uma oportunidade única de conhecer grande parte desse material pela primeira vez.
O público poderá apreciar um total de 47 fotografias, além de três filmagens em câmera Super 8, produzidas na década de 1970, e um conjunto de objetos que fazem parte do acervo pessoal da artista. Muitos desses itens são apresentados ao público pela primeira vez, incluindo fotografias que ainda não haviam sido digitalizadas e sete imagens coloridas inéditas. A presença dessas fotos coloridas é um destaque, dada a predominância de registros em preto e branco em sua obra.
Além dos retratos de artistas famosos, o trabalho de Lita Cerqueira se debruça sobre a vida diária na Bahia, capturando festas populares, cenas de rua e momentos domésticos. Um aspecto notável de sua produção são os registros de jovens mulheres negras e de cerimônias ligadas às religiões de matriz africana. Conforme indicado em um dos textos que compõem a exposição, esses registros, em conjunto com as fotografias da própria artista, desempenham um papel crucial na ampliação da representação do povo brasileiro, com ênfase especial no povo negro.
A abordagem de Lita Cerqueira se distingue pela forma como os retratados interagem com a câmera, uma particularidade ressaltada por Felipe Abdala, programador do Núcleo de Artes Visuais do Sesc Pompeia. Ele explica que essa característica fomenta uma sensação de proximidade com o espectador.
“Uma das coisas que notamos [na fotografia da Lita] é que tem muita gente que olha para a câmera, diretamente para a câmera. São pessoas que sabem que estão sendo fotografadas e que, quando olham para a câmera, estão olhando para quem as fotografou e, quando isso é exibido, estão olhando para o público”,
declarou Abdala, acrescentando que a fotógrafa possui um olhar singular capaz de estabelecer uma conexão íntima entre a pessoa fotografada e quem a observa.
A curadoria da exposição foi desenvolvida em colaboração entre o Sesc, a própria artista e sua equipe, contando ainda com a colaboração de Janaína Damaceno, responsável pelo texto crítico. Esta mostra é a primeira etapa do projeto “Ofício Luz”, uma iniciativa que visa promover exposições dedicadas à linguagem fotográfica.
A exposição estará disponível para visitação até o dia 13 de setembro. O Sesc Pompeia está localizado na Rua Clélia, número 93, no bairro Água Branca, em São Paulo. Os horários de funcionamento para o público são das 10h às 21h, às terças e sextas-feiras, e das 10h às 18h, aos sábados, domingos e feriados.