Uma nova exposição dedicada à vida e carreira de Janis Joplin estreia a partir desta sexta-feira, dia 17, no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo. A mostra apresenta ao público mais de 300 itens pertencentes à cantora, incluindo figurinos, acessórios, manuscritos, os característicos óculos, uma estola de penas e demais objetos inéditos, mantidos até então sob guarda da família da artista e nunca exibidos anteriormente.
Em agosto de 1969, a mãe de Janis, Dorothy, relatou em carta para um destinatário não identificado a estranheza de ver a filha ser chamada de "rainha" ou "deusa". Ela expressava também sua insatisfação pelo fato de Janis não mais escrever cartas, limitando-se a telefonar eventualmente. Naquele mesmo período, Janis participava do festival de Woodstock, evento que consolidou sua projeção internacional e o título de rainha do rock, situação que causava desconforto à mãe.
Após quase 57 anos daquela emblemática apresentação, Janis Joplin é o tema central desta exposição inédita, cuja realização foi possível após o organizador Chris Flannery estabelecer contato com o administrador do acervo da cantora. Três anos antes, Flannery organizou a exposição de B.B. King no MIS, e a partir de então, recebeu uma lista detalhada de itens e fotografias do espólio de Janis para compor a nova mostra.
“Esta será a maior exposição de Janis já realizada em qualquer lugar do mundo.”
Entre os objetos em exibição, o público encontrará peças de vestuário e desenhos, revelando facetas desconhecidas da artista. Segundo Flannery, por meio das obras escritas e dos desenhos expostos, será possível conhecer um aspecto artístico de Janis pouco divulgado, pois além da música, ela se dedicava também às artes plásticas, cuja produção está representada nesta exibição.
Os ingressos para a exposição têm valor de 30 reais (meia-entrada) e 60 reais (inteira). Há gratuidade às terças-feiras, exceto em feriados.
É a terceira vez que o MIS dedica uma exposição a grandes nomes femininos do rock, sucedendo as mostras em homenagem a Rita Lee e Tina Turner. André Sturm, diretor-geral do museu e curador da atual exposição, destaca a importância de Janis Joplin para a contracultura do final dos anos 1960 e início dos anos 1970, período marcado pela ascensão do rock e transformações sociais.
A exposição se estende pelo primeiro pavimento do museu e conta com cenografia de forte apelo imersivo e psicodélico, proporcionando ao visitante uma experiência sensorial. São dez salas temáticas, cada qual dedicada a sentimentos ou conceitos que refletem a personalidade e o percurso artístico de Janis Joplin.
“Quando ela canta, ela se entrega completamente, e ela teve uma vida muito intensa em todos os sentidos. Se o que mais marca a Janis é a emoção, vou fazer uma exposição e dividi-la pelas emoções muito presentes na vida dela.”
Uma das salas, intitulada Amor Brasil, resgata o período em que Janis esteve no Brasil durante o carnaval de 1970, no Rio de Janeiro. Para essa sala, foram reunidos materiais da visita, como fotos, vídeos e um trecho de carta escrita por Janis à mãe enquanto estava no país, momento esse recordado pelo diretor do museu como de grande felicidade para a cantora.
Janis Joplin nasceu em 1943 em Port Arthur, Texas, onde desde a adolescência foi influenciada por nomes como Leadbelly, Bessie Smith e Big Mama Thornton. O contato com essas vozes marcou sua opção de seguir a carreira musical. Ainda jovem, arriscou-se no universo folk com amigos e também se dedicou à pintura. Frequentou brevemente universidades em Beaumont e Austin, mas não se identificou com os estudos acadêmicos, preferindo as referências do blues e da poesia beat.
Após abandonar a faculdade, Janis mudou-se em 1963 para São Francisco, onde residiu no bairro de Haight-Ashbury, conhecido por sua cena artística e pelo uso de drogas. Nesse período, travou amizade com o guitarrista Jorma Kaukonen, que futuramente integrou a banda Jefferson Airplane. Juntos, gravaram músicas acompanhados por Margareta, esposa de Jorma, que utilizava uma máquina de escrever como instrumento de percussão.
Pouco depois, Janis retornou ao Texas, matriculando-se em sociologia na Universidade Lamar, mas logo voltou para a Califórnia, onde, em 1966, deu início à carreira musical que, apesar de breve, foi marcante. Sua voz, caracterizada por timbres rasgados e potente emoção, chamou a atenção do grupo Big Brother and the Holding Company, um dos pilares do rock psicodélico da costa oeste dos Estados Unidos.
Com este grupo, gravou dois álbuns históricos: "Big Brother and the Holding Company" (1967) e "Cheap Thrills" (1968). Posteriormente, seguiu carreira solo, gravando "I Got Dem Ol’ Kozmic Blues Again Mama" (1969) e "Pearl" (1971), este último lançado postumamente.
Janis Joplin morreu em 4 de outubro de 1970, aos 27 anos, em decorrência de uma overdose de heroína, poucos dias após a morte de Jimi Hendrix, outro ícone do rock.